“Palfísico” é o nome popular e de zoeira de
uma cerveja mexicana que se chama Pacífico. Uma das melhores cervejas de botequim
que tem no México, encorpada e saborosa, de coloração amarelo claro e amargor
controlado. Tomava muito quando morava lá.
Os mexicanos gostam de dar apelidos para as
cervejas, como essa se chama Pacífico, e é cerveja de bebum sem dinheiro, eles
chamam de “palfísico”, ou seja, “para o físico”, já que é cerveja de tomar
quantidades grandes em churrascos e festas. Além dessa, a Modelo Especial, que
tem uma garrafa rechonchuda, é chamada de “cojones de búfalo” ou só “cojones” (culhões).
Dentre as cervejas que tomei no país, a Tecate
Light, Victoria, Corona e Coronita, Dos Equis (XX), as duas já mencionadas e
uma chamada Índio são as que mais gostei, mas essa ultima em especial me marcou
muito porque era a cerveja vendida na Lucha Libre da Arena Olímpico de Gomez
Palacio, no estado norteño de Durango. A lucha libre diz mais a respeito da
cultura mexicana do que qualquer coisa que se possa imaginar.
Um estádio, ou arena, decadente, num bairro
decadente de uma cidade decadente do interior decadente do México. Uma luta
armada quase circense para entretenimento e extravaso, de gente de todo tipo e
idade, por uma merreca, num evento que eles levam a sério. Os lutadores, com
suas mascaras e fantasias, me lembro de dois especificamente, Dulce Paola e
Sexy Pisces, que quebram o estereotipo do lutador machão fortão, com golpes
especiais que vão de beijo na boca do adversário à reboladas atordoadoras, fazem
a parte da ação que todos vão ver, mas os destaques de verdade são coisas
subjetivas: o arbitro da lucha, Viruta, e a interação da plateia, e o atendente,
Barra Marín.
Viruta, o árbitro, apanha mais que os
lutadores... dos lutadores, dos espectadores, da própria mãe que aparece nas
luchas de vez em quando, é xingado, vira alvo de copos de cervejas, atirados por
idosas matriarcas de família que ainda estão com as roupas de missa e terços no
pescoço, tomando cerveja e xingando tudo quanto é palavrão que não escute Nossa
Senhora de Guadalupe, ou aprendida com ela, que algum dia deve ter xingado algum
arbitro de lucha libre lá atrás nos primórdios do cristianismo mexicano no sopé
do Tepeyac, que depois de chingar grita lá pra baixo “oye Barra (Marín) dos Índio
por favor”.
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