San Miguel de Allende é a cidade mexicana onde Neal Cassady morreu e está enterrado. Visitei a cidade por duas vezes e por duas vezes me senti tocado pela minha história de vida, como um beat tardio, viajando o mundo em busca de algo que não se encontra de forma alguma fora de nós mesmos.

San Miguel tem um centro da cidade colonial, que mantem a arquitetura mistura de europeia e nativa, com um charme de cidade antiga que apesar da modernização, ainda tem Mariachis nas praças tocando e cantando canções tradicionais, sejam de borracheiras para os beberrões, sejam para namorados e namoradas cantarem canções apaixonadas dedicadas um ou outro.

Mariachis como os do Tenampa não existem.

Chegar desavisado ao Tenampa, com seus mais de cem anos de tradição, no centro do México, na praça Garibaldi, é correr o risco de querer virar mexicano no fim da primeira canção que os mariachis cantam, vestidos à caráter, enquanto se toma unas banderitas, drink especial com três copos de dose, uma de limão, uma de tequila blanca, e outra de suco de tomate, formando as cores da bandeira mexicana, que depois da terceira, já não hão pernas que sustentem o corpo. E virar mexicano não é fácil, demanda força pra comer pimenta, para beber cerveja e tequila a medida que chegam na mesa, comer com tortilha no lugar dos talheres e chorar alto por todos os amores do passado na frente de quem quer que seja, dar gritos e cantar alto até que a voz se acabe, abraçado ao primeiro fodido, tão fodido quanto você, ao lado, que também está chorando por um tanto de amores que, não fosse sua companhia também mexicana, poderia ficar constrangida, mas essa também está chorando pelos seus próprios amores que deram errado, e independente das razões do fim, os fizeram muito mal a ponto de sofrer de forma que só canções de borrachera para exorcizar esse mal.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  Parece que já o conhecia há anos antes mesmo de saber seu nome, e me parecia tão real hoje, que bebia comigo, farreava comigo, cantava com...