Dean Moriarty era a projeção literária que Jack Kerouac fez de Neal Cassady em On The Road, seu romance icônico publicado em 1957 e que o levou ao repente estrelato. No livro, seu alter-ego narrador era Sal Paradise, e a dupla era uma espécie de vilão e mocinho, herói e anti-herói, e vice-versa ao longo de toda a narrativa, sendo de alguma forma ambos a representação daquela geração, chamada de beat.

     Eu não tinha mais de treze anos, e passava sempre que podia sempre que podia uns tempos afastado de casa, tentando entender o que me incomodava no cotidiano que me fazia tão inquieto com as coisas, quando passeando no shopping com meu pai, coisa que ele fazia toda semana, inclusive as que eu passava com ele – separado da minha mãe desde meus três meses, me encaminhei logo pra Sodiler, uma livraria que tinha lá, e hoje nem existe mais. Passava todo o tempo que meu pai passeava no shopping ali na livraria, lendo, lendo, lendo, e nesse dia específico quando eu não passava de treze anos, entrei na livraria e por conta de um relançamento de alguma editora, o On The Road tava lá em destaque numa das mesas de livros.

O livro influenciou gente como Jim Morrison e Bob Dylan, levou John Lennon a criar os Beatles, entre outros, agora tu imagina que não faria na cabeça de um moleque de treze anos inquieto?!?! Comprei o livro e menos de vinte e quatro horas depois já o tinha lido inteiro madrugada adentro. O sentimento, o stimmung, que ele me proporcionou me acompanhou o tempo todo a vida toda até um ou dois anos mais tarde, quando eu e mais dois, optamos por viver uma vida na infinita Highway, e nunca mais paramos (na verdade paramos sim, o que um coração tomado não faz por uma pessoa, ne?!?!? Com exceção do próprio Neal Cassady/Dean Moriarty).

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