A influência do On the Road foi tão forte, que passei os próximos anos viajando sem destino com dois amigos, matando aulas do colégio, que na época cursávamos o ensino médio, que juntos fazíamos aquele trio de desajustados do próprio livro. A ideia era de que o importante era a estrada e não aonde chegássemos, o importante era estar no movimento, aonde chegássemos, aonde íamos, não importava, como a letra daquela canção do Engenheiros do Havaí, Infinita Highway, do disco A Revolta dos Dândis, de 1987:

“Estamos sós e nenhum de nós

Sabe exatamente onde vai parar

Mas não precisamos saber pra onde vamos

Nós só precisamos ir

Não queremos ter o que não temos

Nós só queremos viver

Sem motivos, nem objetivos

Estamos vivos e isso é tudo

É sobretudo a lei da infinita highway”

 

A gente ia indo e fazendo o que tinha que fazer, satisfeitos, deixando o futuro pro futuro... vimos muita coisa, fizemos muita coisa, e mesmo hoje, adultos e tranquilos, quando nos juntamos só falamos de viajar de novo, de tocar o pé no mundo mais uma vez e sair por aí sem compromisso e desajustados da sociedade consumista como sempre fomos.

Falamos sempre, contamos estórias, de um Cabo Folia loucaço à uma proximidade com o divino no Sana, de Bob Marley à Pequena Garota de Suel e Amaro, de sobras de pizzas das mesas da lanchonete pra tentar comer alguma coisa no jantar à peixes frescos grelhados no tijolo, de dormir quentes em camas de visita na casa de algum recém conhecido à passar a madrugada deitados o capô do carro pra não congelar no meio da estrada, e as lembranças e as risadas e a empolgação e o planejamento motivando o próximo encontro, que como todo bom carioca é sempre o que vamos fazer sem nunca deixar de ser o que empurramos para o próximo que vem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  Parece que já o conhecia há anos antes mesmo de saber seu nome, e me parecia tão real hoje, que bebia comigo, farreava comigo, cantava com...